História das Invasões Francesas
Antecedentes
Napoleão Bonaparte, imperador francês, que se auto intitulou Napoleão I, foi uma figura importante no cenário político mundial em finais do século XVIII e inícios do século XIX. Depois de uma carreira vitoriosa no exército francês e após a Revolução Francesa, Napoleão tomou o poder em 1799, iniciando um Governo constituído por três fases: Consulado (1799-1804), Império (1804-1814) e Governo dos Cem Dias (1815). O seu período de governação foi marcado pela opressão, censura e guerras por todo o continente Europeu, com opositores dentro do seu país, e também em todo o continente europeu.
Consulado
Abandonaram-se os ideais da Revolução Francesa “Liberdade, Igualdade, Fraternidade” e a forte censura à imprensa e aos órgãos políticos aniquilou qualquer oposição ao governo de Napoleão.
Império
Em 1804 foi aprovada, através da realização de um plebiscito uma nova fase da Era Napoleónica, no qual foi restituído o regime monárquico em França e Napoleão indicado como ocupante do trono. Prova da sua irreverência, ânsia de liderança e espírito de autoridade, a 2 de Dezembro de 1804, aquando da sua coroação pelo Papa Pio VII, retirou a coroa das mãos deste e coroou-se a si próprio, mostrando que ninguém tinha mais autoridade do que ele próprio. Em seguida coroou a sua esposa, a Imperatriz Josefina.
Neste período, o Império Francês atingiu uma grande extensão, com quase toda a Europa Ocidental e parte da Europa Oriental ocupadas, através de inúmeras batalhas sangrentas. O exército de Napoleão I possuía uma avançada estratégia militar, artilharia e um inúmero contingente de homens bem preparados para diversos cenários de guerra.
Com o objectivo de derrotar Inglaterra, o Império Francês como manobra de antecipação e de modo a fragilizar aquele país, decretou em 1806 um Bloqueio Continental, que consistia em que todos os países europeus deveriam encerrar os seus portos marítimos ao comércio inglês, com o intuito de deixar a Inglaterra fragilizada em termos económicos. Esta exigência por parte da França levou a que a maior parte dos países participantes no bloqueio saíssem prejudicados, uma vez estavam dependentes industrialmente da Inglaterra.
Portugal tinha relações comerciais privilegiadas com a Inglaterra, através da assinatura do Tratado de Methwen em 1703, que comprometia Portugal a consumir os produtos industrializados provenientes de Inglaterra e em troca a Inglaterra comprometia-se a consumir os vinhos e tecidos portugueses, e a Inglaterra ameaçou com a usurpação das colónias portuguesas caso Portugal participasse no Bloqueio Continental. Esta situação não deixou outra escolha a Portugal, que se tornou o único aliado dos ingleses no combate às Invasões Francesas.
Contrariado com a opção de Portugal não cumprir o Bloqueio a Inglaterra, Napoleão I formou uma aliança com a Casa Real Espanhola em 27 de Outubro de 1807, o Tratado de Fontainebleu no qual Espanha autorizava a passagem das tropas francesas pelo seu território, apoiava o contingente francês em termos de alimentação e repouso, com o objectivo de invadir e conquistar Portugal para ser dividido em três reinos:
- Lusitânia Setentrional – entre o Rio Minho e o Rio Douro;
- Algarves – região a sul do Rio Tejo;
- Resto de Portugal – entre o Rio Douro e Rio Tejo.
Desta forma, deu-se o início da Guerra Peninsular com as Invasões Francesas a Portugal (1807–1810/11).
A aliança entre Portugal e Inglaterra passava pelo facto dos portugueses se livrarem da invasão francesa do seu território e pelos ingleses protegerem e afastarem os franceses das suas costas de modo a evitar um conflito no seu próprio território. Inglaterra tinha também o interesse num conflito com França, podendo iniciar um combate terrestre com o franceses que pudesse encaminhar outras nações de volta para a guerra contra a hegemonia desta nação na Europa1
Desta forma, o futuro da Europa começou a decidir-se em território português, devido à resistência dos portugueses que se uniram em torno de uma causa, contando evidentemente com o apoio da grande potência militar da Inglaterra.
Com a declaração de guerra, a Família Real Portuguesa partiu em exílio para o Brasil e nomeou o Conselho de Regência para governar durante a sua ausência, não comprometendo a independência nacional. Pela primeira vez, foi instaurado numa colónia a capital de um Império.
Durante esse período, o território nacional foi alvo de violência, saque e destruição com a primeira e a segunda invasão. Temendo-se uma nova incursão francesa, deu-se início à construção das Linhas de Torres para defesa da cidade de Lisboa, erguendo-se o espírito de sacrifício, resistência e patriotismo.
Este sistema defensivo desencadeou o fim das invasões francesas em território português e seguiu-se uma série de batalhas em território espanhol (Fuentes de Oñoro, 1811; Albuera, 1811; Cerco de Badajoz, 1812; Cerco de Salamanca, 1812; Batalha da Vitória, 1813; Batalha dos Pirinéus, 1813) e em território francês a Batalha de Toulouse, 1814, que iria pôr fim à Guerra Peninsular. Entretanto a Campanha da Rússia foi uma pesada derrota para Napoleão.
Estavam reunidas as condições que marcavam o destino final de Napoleão. Seguiu-se o exílio em Elba, interrompida pela sua fugaz conquista de poder, o Governo dos 100 dias, no qual se deu a Batalha de Waterloo e o exílio definitivo em Santa Helena.
1 Tormenta, Pedro João e Fiéis, Pedro; A primeira Invasão Francesa, As Batalhas da Roliça e do Vimeiro, P.9, 10;2005






