História das Invasões Francesas
3ª Invasão
Depois da segunda invasão tornou-se incontestável que Napoleão não ia desistir da ideia de dominar Portugal e, principalmente, o porto de Lisboa. Após a conquista da cidade do Porto pelas forças aliadas luso-britânicas a 29 de Maio de 1809, os oficiais ingleses previam uma nova campanha de invasão. O exército inglês composto por enorme contingente e melhor organizados em território português, representava uma ameaça para o domínio da Europa pelos Franceses.
Sob o comando de Lord Wellington, face à previsão de uma nova invasão, foi arquitectado um sistema defensivo à cidade de Lisboa, através de um conjunto de fortificações em torno da capital, aproveitando e reforçando os obstáculos topográficos naturais que o terreno apresenta. A esse conjunto de fortificações deu-se o nome de Linhas de Torres Vedras 1.
Decidida uma nova investida francesa sobre Portugal, o exército francês, desta vez comandado pelo General Massena2 , entrou em Portugal pela fronteira da Beira, conquistou a praça-forte de Almeida3 , a 28 de Agosto de 1810, e planificou um novo movimento de marcha até Lisboa, com o objectivo de ocupar a capital.
As tropas de Napoleão eram em maior número, mais bem preparados e apetrechados de armamento e com uma estratégia de ataque bem definida. A marcha ate à capital foi iniciada na Beira e percorreram o interior centro do país. A estratégia era conquistar o maior número de cidades importantes, e a 18 de Setembro de 1810 Massena ocupou Viseu.
Entretanto os ingleses e os portugueses tinham preparado um sistema de defesa em torno da capital, cuja construção se iniciou em 1809, em absoluto segredo, em tempo recorde e com custos muito baixos, tendo em conta que foram construídas 152 estruturas defensivas.
A 27 de Setembro ocorreu a batalha do Buçaco, na qual os luso-britânicos saíram vitoriosos, mas Wellington foi obrigado a retirar o seu exército, recuando em direcção a Lisboa a fim de a defender. Assim, os aliados luso-britânicos alinharam-se nas Linhas de Torres, que foram alcançadas pelos franceses, de 11 a 13 de Outubro de 1810. Massena e o seu exército ficaram surpresos com o sistema defensivo preparado no maior secretismo.
Nestes mesmos dias, Massena prepara uma contra ofensiva, tentando passar esta linha de defesa, entrando em combate no Sobral de Monte Agraço . Massena depara-se assim com um obstáculo nunca antes visto, e logo percebe que seria muito difícil chegar de novo à capital.
A 15 de Novembro de 1810 o exército francês retira-se das Linhas de Torres e passa o Inverno em Santarém. As dificuldades aumentaram, com um Inverno muito rigoroso que se fez sentir, com soldados feridos, cheios de fome, bastante desmoralizados e para agravar, com as tropas de Wellington sempre no seu encalço, até 11 de Março de 1811. Os franceses eram cada vez mais empurrados e obrigados a fugir em direcção à fronteira.
A 3 de Abril de 1811 acontece o último grande combate entre os defensores de Portugal e os invasores franceses, no Sabugal, onde mais uma vez os luso-britânicos sairam vencedores, e Wellington obriga definitivamente Massena a abandonar Portugal, chegando ao fim a 3ª Invasão Francesa.
1 Será explicado nos capítulos seguintes.
2 Comandou as tropas francesas na 3ª Invasão a Portugal, entrando pela fronteira de da Beira.
3 O seu governador, português, foi fuzilado por ordem de Wellington, por ser acusado de não ter resistido mais tempo.






