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As Linhas de Torres

As Linhas de Torres

As Linhas de Torres Vedras1 são um particular sistema defensivo, construído na Região Oeste de Portugal, com a finalidade de proteger Lisboa de uma terceira invasão. Foi idealizado por Wellington, após a segunda invasão protagonizada por Soult, aproveitando os obstáculos naturais da região. Esta obra comporta um total de 152 fortificações, construídas de Novembro de 1809 até 1812. Estes redutos foram determinantes aquando da terceira invasão, momento em que a Estremadura teve um papel fundamental na Guerra Peninsular.

Wellington redigiu um documento em Outubro de 1809 que dava indicações precisas sobre a fundamental construção deste sistema defensivo:


«(…) a escolha de uma posição que o inimigo não pudesse tornear nem deixar à retaguarda, que tivesse comunicação fácil e segura com mar; que barrasse todas as comunicações dirigindo-se sobre Lisboa (…); fortificar solidamente essa posição de forma a construir uma verdadeira praça de armas onde se concentrassem, reabastecessem e repousassem durante algum tempo, as forças do exército de campanha anglo-lusa, a fim de oportunamente se travar, numa acção geral, a batalha que deveria decidir a sorte da capital (…).»


Lord Wellington, já na altura das primeiras invasões comandadas pelo General Junot, tinha observado esta zona do território, concluindo que devido à sua topografia, tratava-se de um sistema de defesa natural, tendo evidentemente que fazer uns ajustes, tendo em conta a estratégia militar. No entanto, há quem defenda a hipótese de terem sido feitos estudos prévios sobre a zona Oeste2 anteriores aos de Wellington, o que leva a crer que a ideia não surgiu do general inglês, mas sim dos franceses. Contudo, foi o oficial inglês que idealizou este sistema defensivo constituído por linhas de defesa em torno da capital.


«A primeira coisa a ser decidida foi o próprio local de embarque, para o caso de acontecer o pior. Lord Liverpool advogava fortemente a escolha de Peniche, (…) a 80 km ao Norte de Lisboa, com a ideia de criar um segundo Gibraltar (…). O seu colega naval, o Almirante Berkeley, sugeriu a pequena baía de Paço d’ Arcos (…). Wellington não gostava de Paço d’Arcos, porque ficaria ao alcance da artilharia da margem Sul do Tejo (…). Consequentemente, mandou o seu engenheiro chefe, o Coronel Fletcher, fazer um reconhecimento do estuário do Tejo até ao mar (…). Fletcher comunicou, a 15 de Outubro de 1809, que a pequena baia a Leste de São Julião, a 18 Km a Oeste de Lisboa, era o único Local onde um pequeno destacamento de retaguarda, de cerca de 3 batalhões, poderia cobrir o embarque de todo o exército. Wellington aceitou o concelho de Fletcher; uma forte linha defensiva, com mais de 3 Km de extensão, foi construída para cobrir a praia de São Julião da Barra, imediatamente a seguir à barra do Tejo3 »


Para que este sistema fosse ainda mais grandioso e “destrutivo”, o factor surpresa foi deveras importante. As Linhas de Defesa de Lisboa4 foram construídas no maior secretismo, o que levou à surpresa dos franceses e da própria Coroa Britânica.
No memorando de Wellington, redigido a 20 de Outubro de 1809, foi dada a ordem de construção das Linhas Defensivas, referindo a construção de “uma linha principal, situada a 32 km a norte (de Lisboa), baseada no maciço central do cabeço de Montachique, e uma linha exterior, 10 km mais a Norte, prolongando-se para Oeste como para Leste de Monte Agraço, acima do Sobral. Mas, receoso de que os franceses, demasiado confiantes, tivessem conhecimento destas complexas operações e, antecipando um longo cerco, melhorassem os seus desorganizados serviços de abastecimento, o general britânico não confiou as suas intenções se não àqueles que estavam directamente envolvidos no projecto”5 .


Iniciou-se a construção das quatro Linhas de Defesa de Lisboa, que contabilizam cerca de 90 km de extensão, localizadas para proteger o flanco esquerdo, no Atlântico, e o direito, no Rio Tejo, com ligação entre toda a sua extensão, possuindo um total de 152 fortificações.

1 Também conhecida como Linhas de Torres
2 studos feitos por Vicent, engenheiro de Junot, e relatórios do oficial português, Neves da Costa.
3 Retirado de: Norris, A.H. e Bremner, R.W.; As Linhas de Torre Vedras, As Três Primeiras Linhas e as Fortificações a Sul do Tejo; P.15-16; Câmara Municipal de Torres Vedras; 2001- Excerto de: Sir James Marchall – Cornwall, Marchal Massena, Oxford University Press.
4 Linhas de Torres.
5 Retirado de: Norris, A.H. e Bremner, R.W. ; As Linhas de Torre Vedras, As Três Primeiras Linhas e as Fortificações a Sul do Tejo; P.16; Câmara Municipal de Torres Vedras; 2001- Excerto de: Sir Arthur Bryant, Years of Victory, Collins ed.

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