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Sondagem

As Linhas de Torres

Fortes, Redutos, e Estradas Militares

Concelho de Arruda dos Vinhos

Forte do Cego
Obra militar n.º 9


Situado na freguesia de Arruda dos Vinhos, à direita do desfiladeiro de Matos, era designado Forte de S. Sebastião, mas por se situar no Casal do Cego passou a designar-se Forte do Cego.

Tem uma localização privilegiada porque permite a visualização de todo o vale de Arruda, a 353 metros de altura. Em 1814 estava ainda artilhado com 3 peças de calibre 9, 1 peça de calibre 12 e 4 canhoneiras, tendo capacidade para 280 soldados. Actualmente é possível observar as canhoneiras e o paiol.

Forte da Carvalha
Obra militar n.º 10


Situado na freguesia de S. Tiago dos Velhos, é um forte em “forma de estrela”, apresenta uma tipologia arquitectónica das mais representativas destas estruturas militares e o seu estado de conservação é considerado relativamente bom. Situado à direita da localidade de Carvalha, a 394 metros de altura. Em 1814 estava ainda artilhado com duas peças de calibre 9 e 4 canhoneiras, e a sua capacidade era para 400 soldados.

Os fortes estavam ligados por uma estrada militar calçada à antiga portuguesa, que ainda apresenta alguns vestígios. Junto ao reduto da Carvalha, existiu um poço aberto para serviço das tropas, conhecido como o Poço dos Militares. Todo o material e artilharia foram retirados para o Arsenal do Exército em 1818.

Forte do Paço
Obra militar n.º 12


Situado na freguesia de Arranhó, numa escarpa rochosa por cima da estrada de Arruda, a 283 metros de altura. Possuía 3 peças de artilharia de calibre 9 e capacidade para 120 soldados.

A localização deste forte coincide com o Sítio Arqueológico do Castelo.

Estrada Militar Sobral/Arruda – Bucelas (Localidade de N. Sr.ª Ajuda - Arranhó)

Situada na localidade de N. Sr.ª da Ajuda, Freguesia de Arranhó, liga as localidades de Sobral/Arruda a Bucelas, pela Serra de Al-Rota. Parcialmente bem conservada, com extensão aproximada de 1600 metros. Em alguns pontos do percurso são visíveis 10 marcos de estrada, encontrando-se na sua maioria in situ. Esta estrada provavelmente fazia a ligação das estruturas defensivas da primeira linha de defesa entre o 1º e 2º Distrito.

Concelho de Mafra

Concelho de Sobral de Monte Agraço

Em Sobral de Monte Agraço está parte do património histórico-militar da 1.ª linha de defesa de Lisboa, cuja importância estratégica foi de inegável valor nos planos de Wellington. Os principais fortes da 1ª linha de defesa eram os de Alhandra, Sobral de Monte Agraço e Torres Vedras. Os dois últimos formavam os maiores redutos de todo o sistema defensivo, embora houvesse ainda um conjunto significativo de outros fortes de menor dimensão, localizados no alto das colinas, que garantiam que todos os pontos ficavam guarnecidos.
Entre as oito obras militares do concelho, alusivas a este período da história de Portugal, destacam-se as seguintes:

Forte do Alqueidão
Obra militar n.º 14


O Forte do Alqueidão, localizado cerca de 2 km a sul de Sobral de Monte Agraço, é o ponto mais elevado (439 m) do sistema defensivo denominado por Linhas de Torres Vedras, o que possibilita a visualização de um conjunto significativo de outros fortes da 1.ª linha e a interpretação da sua inter-relação.
A sua missão estratégica, na qual colaboravam os restantes fortes implantados na serra de Montagraço, era impedir o acesso do exército inimigo a Lisboa, pela estrada de Bucelas. Era também aí que se situava o posto de comando, à frente do qual ficava o campo de batalha, que assumiu um papel relevante na defesa penetrante Torres Vedras, Bucelas e Loures.

De entre todas as fortificações da primeira linha de defesa, o Forte Grande - o Grande Reduto do Sobral ou do Alqueidão, como é hoje conhecido - assumiu uma importância militar estratégica de relevo, pois era aquele que tinha maior capacidade, quer em termos de guarnição quer em número de peças de artilharia. Também, em termos arquitectónicos, apresentava uma forma diferente da maioria das outras obras militares.

De acordo com as directrizes fornecidas por Wellington, a construção do Forte Grande, que teve início a 4 de Novembro de 1809, ficou a cargo do capitão Williams, sob a direcção inicial do Tenente Coronel Richard Fletcher e, posteriormente, a partir de 6 de Julho de 1810, a cargo do Capitão John T. Jones.

Quando as tropas de Massena chegam às Linhas, no dia 11 de Outubro de 1810, deparam-se com uma terra estéril e com o exército aliado atrás duma posição impenetrável. Ao aproximar-se da região de Sobral de Monte Agraço, o general francês Montbrun informa Massena da descoberta de uma linha de fortificações que se estende do rio Tejo à foz do rio Sizandro. Consta que Massena terá ficado furioso quando tem conhecimento desta extensa “parede de rochas”, coroada por toda a espécie de fortificações de campanha e bem guarnecida de artilharia.

Prevendo a aproximação do inimigo, o Tenente Coronel Fletcher, dois meses antes da chegada dos franceses às linhas, emite ordens não só para reforçar o flanco direito da terra defendida pelos fortes da Serra de Montagraço e de Torres Vedras, mas também para desenvolver o centro da linha defensiva.

No dia 12 de Outubro, o VIII Corpo do Exército Francês ataca os postos avançados de Spencer em Sobral de Monte Agraço. Wellington não perde tempo em mandar reforçar as posições em redor de Sobral, fazendo com que os franceses não tenham o mesmo sucesso ao tentarem um assalto ao Forte Grande do Alqueidão.

Travam-se combates entre 11 e 13 de Outubro, mas o exército francês é obrigado a recuar, ficando a aguardar reforços que acabariam por nunca chegar. Entre 15 e 18 de Novembro, o exército francês retira-se definitivamente das Linhas.

As tropas francesas acampam perto de Sobral, de onde podem inspeccionar as defesas dos aliados. Foi junto a este Forte que Wellington concentrou a maior parte do seu exército de campanha. Esta obra militar, propriedade pública, situa-se em meio rural, cujo acesso se faz por uma estrada militar, também ela pública. Já foi alvo de algumas intervenções de desmatagem e limpeza da vegetação intrusiva, de tratamento do seu coberto vegetal e de duas campanhas arqueológicas. Actualmente, duas das suas estruturas (o paiol norte e a casa do governador) estão a ser restauradas e consolidadas para, posteriormente, integrarem o espaço museológico do Forte.

Estrada Militar

A estrada militar estabelecia o acesso ao Forte Grande e entroncava-se com outros caminhos militares que estabeleciam a comunicação viária com os outros fortes da Serra de Montagraço. A construção destas estradas teve em vista permitir a circulação de artilharia, os reabastecimentos e as evacuações das guarnições das obras e das tropas de linha, acantonadas a coberto destas; bem como permitir a manobra para a concentração de tropas em qualquer ponto das linhas com a rapidez e o sigilo necessário ao sucesso da estratégia de defesa.

A estrada militar será fechada ao trânsito e disponibilizada apenas para uso pedonal. Junto ao início desta estrada está a ser construído um núcleo de apoio, no qual o visitante pode dispor de estacionamento, zona de lazer e de wc’s e sinalização direccional e interpretativa acerca do circuito pedestre Alqueidão – Forte Novo.

Forte do Simplício
Obra Militar n.º 16


Guarnecido por 250 homens e munido de 4 bocas de fogo, este forte avançado fecha a coroa da Serra de Montagraço, cruzando fogos, para a esquerda com os do Forte do Trinta (reduto n.º 15) e para a direita com os do Forte Grande, ou do Alqueidão, (reduto n.º 14). Bate o vale da Arcela, a Boieira e os caminhos que dele ligam aos Casais, assim como os caminhos que seguem para as aldeias de Seramena e Salvador. Neste tipo de fortes, defendidos pela infantaria, primeiro actuava a artilharia, sendo a banqueta só ocupada pelos soldados quando as forças assaltantes iniciavam o ataque. Antes desse momento e durante o combate da artilharia, os defensores refugiavam-se a coberto dos traveses.

Forte do Machado
Obra Militar n.º 17


Este Forte avançado, que dispunha de 300 homens e contava com 6 bocas de fogo, em conjunto com os Fortes Grande, do Trinta e do Simplício (redutos n.os 14, 15 e 16), fechava a coroa da serra de Montagraço e batia, pela frente, a estrada real do Sobral para Bucelas e a estrada militar que dali partia para a Louriceira de Baixo e para a Carvalha, assim como todo o terreno que lhe ficava à frente e à direita. O Forte do Machado cruzava fogos para a esquerda com o Forte Grande ou do Alqueidão (reduto n.º 14), impedindo por entre eles o acesso à coroa da Serra.

Forte Novo
Obra Militar n.º 152


Um dos últimos fortes a ser construído, com uma guarnição de 250 homens e 5 bocas de fogo, tinha por missão impedir o acesso a Lisboa por parte do exército francês, pela estrada real Sobral de Monte Agraço-Bucelas. Situado no cabeço dos Galhofos, é uma obra militar avançada, à direita, do Forte Grande ou do Alqueidão. Tinha como objectivo reforçar a defesa da Serra do Alqueidão batendo os terrenos que ficam mais a coberto das fortificações situadas na sua coroa. Domina, pela direita, o terreno de Santo Quintino e suas proximidades; pela frente e pela esquerda bate de enfiada alguns pontos da estrada real e o vale da Arcela, Chancos e Seramena. Construído em terra, pedra e rocha, ainda, é possível ver vestígios consideráveis da obra, nomeadamente, o fosso; tem, ainda, como particularidade um moinho de vento situado no seu interior, de 2 pisos, único desta dimensão no concelho.

Quinta dos Freixos e do Casal Cochim

A comprovar a importância estratégica do Forte Grande, está também a localização dos quartéis-generais de Wellington e Beresford no Concelho de Sobral de Monte Agraço, numa posição central em relação à 1.ª e 2.ª linhas.

O Marechal Arthur Wellesley nomeado, posteriormente, Duque de Wellington, instala o seu quartel-general na Quinta dos Freixos, situada numa encosta junto ao rio Sizandro, em Pêro Negro. É a partir dali que o Marechal inglês comanda o exército luso-britânico durante o tempo em que ocupa as linhas de defesa de Lisboa. Todos os dias de manhã, dirigia-se a cavalo ao Forte Grande, onde podia examinar a área circundante, procurando, no horizonte, sinais de movimentação inimiga.

Em 1931, a Comissão de História Militar manda colocar uma lápide evocativa no edifício frontal da respectiva quinta, onde se pode ler: “Nesta casa, do Barão de Manique, esteve o quartel-general do Marechal Sir A. Wellesley, em 1810, durante a ocupação das Linhas de Torres Vedras”.

A cerca de 1 Km da Quinta dos Freixos, o Marechal William Carr Beresford, Comandante Supremo do Exército Português, estabelece o seu quartel-general em Casal Cochim. Também aqui, a Comissão de História Militar manda colocar uma placa assinalando tal facto.

Concelho de Vila Franca de Xira

Os fortes do concelho de Vila Franca de Xira (à excepção do Forte 38, cujo tratamento é específico) estão actualmente a ser alvo de um estudo de diagnóstico do seu actual estado de conservação, do consequente plano de recuperação dessas estruturas e criação de condições de visita, bem como um plano de manutenção dos fortes (ao nível da vegetação e da conservação estrutural). Prevê-se a implantação de sinalética informativa e direccional que oriente o visitante e a sua leitura sobre a paisagem envolvente.
O 1º Forte de Subserra (n.º 114a) e a Bateria Nova da Subserra (n.º 114b), localizados no Circuito da Serra do Formoso, são dois tipos distintos de obra militar que, pelo relativo bom estado de conservação que apresentam e posição estratégica que ocupam, permitem entender a forma como funcionavam as Linhas.
Deste ponto partirá um percurso pedestre que procurará seguir o caminho militar ainda existente e visitar as diferentes obras militares implantadas nesta Serra. Este percurso possibilitará perceber a situação precária das populações que foram desalojadas num raio de 30Km para Norte da 1ª Linha e observar a paisagem rural e natural típica desta área calcária de características predominantemente mediterrânicas, para além de interesses faunísticos, litológicos, geológicos e de educação ambiental (estamos na proximidade de um pedreira activa), abundantes no local.
No Circuito da Serra da Aguieira, os Fortes da Aguieira, da Portela Grande e Portela Pequena constituem 3 obras militares articuladas entre si e envolvidas por uma trincheira. Estão em bom estado de conservação e foram seleccionadas atendendo ao seu relativo bom estado de conservação e pela relevante posição estratégica que ocupam, pela inter-visibilidade obtida no local, quer com postos da 1ª Linha, quer com postos das 2ª Linha, quer com o Tejo, quer com os acessos a defender até à capital.
Do local partirão percursos pedestres que poderão ligar estas fortificações com as obras militares do vizinho concelho de Loures, sobre as cumeadas naturais (com escarpamentos e moinhos que desempenharam o papel de block-houses) que se erguem sobre o desfiladeiro de Bucelas. Também aqui se complementa a observação da arquitectura e estratégia militar com a paisagem rural e natural típica desta região de características mediterrânicas, com abundantes interesses faunísticos, litológicos, geológicos e de educação ambiental. Tratando-se de um sítio alto e estrategicamente tão relevante, entendeu-se necessário criar estruturas de acolhimento para acesso automóvel (parque de estacionamento de ligeiros) para além da sinalética direccional, informativa e rodoviária necessária à compreensão do local.

Forte da Casa
Obra militar n.º 38


O Forte 38 situa-se no arranque da 2ª Linha, tendo como objectivo estratégico central bater a estrada que avança pela Serra e cobrir o Forte da Rua Nova e o Forte da Arroteia. Este reduto foi guarnecido pelas tropas da Divisão Hill em Outubro de 1810.

Capacidade: Reduto munido de 5 bocas de fogo (calibre 9) e guarnição de 350 homens.

Coordenadas GPS: 38° 52 24,892" N 9° 3 26,672" W

Forte da Aguieira
Obra militar n.º 40


O Forte 40 situa-se na 2ª Linha, tendo como objectivo estratégico central cobrir o Forte da Portela Grande e o Forte da Portela Pequena.

Capacidade: Reduto sem bocas de fogo e com guarnição de 150 homens.

Coordenadas GPS: 38° 54 1,472" N 9° 4 20,531" W

Forte da Portela Grande
Obra militar n.º 41


O Forte 41 situa-se na 2ª Linha, tendo como objectivo estratégico central impedir, na vertente Oeste, o avanço do inimigo pela Estrada e, no flanco Este, vigiar o Tejo.

Capacidade: Reduto munido com 5 bocas de fogo (calibre 12) e guarnição de 240 homens.

Coordenadas GPS: 38° 53 52,799" N 9° 4 17,320" W

Forte da Portela Pequena
Obra militar n.º 42


O Forte 42 situa-se na 2ª Linha, tendo como objectivo estratégico central impedir, na vertente Oeste, o avanço do inimigo pela Estrada e, no flanco Este, vigiar o Tejo.

Capacidade: Reduto munido com 6 bocas de fogo (calibre 12) e guarnição de 350 homens.

Coordenadas GPS: 38° 53 56,920" N 9° 4 21,771" W

1º Forte de Subserra
Obra militar n.º 114a)


O Forte 114a situa-se no arranque da 1ª Linha, tendo como objectivo estratégico central defender de flanco o ataque à Bateria de São Fernando e cruzar tiro com a Bateria Nova de Subserra. Este reduto foi guarnecido pelas tropas da Divisão Hill em Outubro de 1810.

Capacidade: Reduto munido de 1 boca de fogo (calibre 6) e 2 bocas fogo (calibre 9) e guarnição de 100 homens.

Coordenadas: 38° 55 29,236" N 9° 1 25,418" W

Bateria Nova de Subserra
Obra militar n.º 114b


A bateria 114b situa-se no arranque da 1ª Linha, tendo como objectivo estratégico central bater de flanco o ataque feito ao 1º Forte de Subserra, cruzando com este os seus fogos, e bater as alturas de São João dos Montes e alguns pontos da Estrada Real de Arruda e ainda cobrir o acesso à Serra. Este reduto foi guarnecido pelas tropas da Divisão Hill em Outubro de 1810.

Capacidade: Reduto munido de 9 bocas de fogo.

Coordenadas GPS: 38° 55 32,658" N 9° 1 40,051" W

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