As Linhas de Torres
Investigação Histórica e Arqueológica
Concelho de Arruda dos Vinhos
O Município de Arruda dos Vinhos, no âmbito do Projecto Intermunicipal Rota Histórica das Linhas de Torres, realizou em colaboração com a Assembleia Distrital de Lisboa, a 1ª Campanha Arqueológica no Forte do Cego (Obra Militar nº 9) e Forte da Carvalha (Obra Militar nº 10), sob a orientação do Arqueólogo Guilherme Cardoso.
Nesta campanha foram escavadas 2 canhoneiras (em ambos os Fortes), Paiol no Forte do Cego e conduta de escoamento de água no Forte da Carvalha, verificou-se que “os pisos onde assentavam o reparo dos canhões eram lajeados, sendo o terreno previamente preparado com um enchimento de pedras ligado com argamassa.
(…) Os paios, de construção simples, eram de alvenaria rebocada com estuque e tinham um sistema de escoamento de águas pluviais que evitava o alagamento das instalações”
Guilherme Cardoso (Arqueólogo da Assembleia Distrital de Lisboa).
Paiol no Forte do Cego

Forte da Carvalha

Concelho de Vila Franca de Xira
Escavação Arqueológica no Forte da Casa (obra n.º 38)
No âmbito da valorização e requalificação desta obra militar, realizou-se, entre Abril e Julho de 2008, uma intervenção arqueológica, cujos trabalhos permitiram analisar, pela primeira vez, as suas técnicas de construção, assim como sublinhar o cariz inovador da sua planta e organização.
Actualmente, apenas é visível parte do seu paramento externo em pedra e taipa, não sendo perceptível a totalidade da planta, a real altura dos seus paramentos nem a existência do antigo fosso, que já terá sido parcialmente destruído.
Face a este cenário, optou-se numa primeira fase, pela limpeza da cobertura vegetal que cobria abundantemente a área objecto de intervenção. Verificou-se igualmente que o espaço foi bastante adulterado na plataforma superior, junto ao muro onde se situavam 4 das 6 canhoeiras que compunham esta estrutura militar. Tendo por base esta última premissa, abriu-se uma nova área de sondagem no local onde, de acordo com as plantas disponíveis, se situaria o paiol.
O alargamento da intervenção arqueológica, teve o condão de nos conduzir, quase que de imediato, à descoberta de dois paramentos muito bem estruturados em pedra seca, provavelmente pertencentes à estrutura supra mencionada. A sua escavação veio confirmar em área qual a real dimensão do paiol do Reduto Defensivo nº 38.
O grande volume de terras em contexto secundário aqui depositado permitiu-nos realizar a consequente remoção de terras por meios mecânicos, permitindo vislumbrar e colocar a descoberto o corredor e a respectiva sala da pólvora que compõem a parte central desta construção.


Concelho de Sobral de Monte Agraço
Numa perspectiva de conhecer para intervir, intervir para recuperar e recuperar para divulgar realizaram-se, até ao momento, duas campanhas arqueológicas no Forte do Alqueidão. Enquanto que na 1.ª campanha, o objectivo foi diagnosticar o estado de conservação, potencial arqueológico e museológico das estruturas presentes no interior do grande reduto, avaliar as técnicas construtivas e averiguar a fiabilidade dos mapas da época em confronto com a realidade observada no terreno; na 2.ª campanha, a partir da amostra escavada em 2008 (a “casa do governador”, duas canhoneiras, dois paióis, um poço e um reduto interior), seleccionaram-se duas áreas para colocar as estruturas totalmente a descoberto. Após o alargamento da escavação na “casa do governador” e no paiol norte, seguem-se os trabalhos de conservação e restauro e, posteriormente, a musealização dos espaços.
Esta última campanha serviu também para aprofundar a caracterização da ocupação da Idade do Ferro, detectada no Forte Grande. A decorrer está, também, uma investigação histórica sobre a temática da estratégia de defesa, o papel de posto de comando do Alqueidão e a sua articulação com os quartéis-generais que se estabeleceram nas Linhas.
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